Dos gordos apresentadores de talk-show, o João é de longe o meu favorito, desde longa data.
Com todo seu jeito escrachado, acho sensacional a maneira como ele conduz as entrevistas, sem desrespeitar em momento algum o convidado, seja este quem for.
Ontem eu vi o Rafael (p)Ilha na reprise do Gordo a go-go.
Fiquei muito impressionada com essa entrevista. O relato do Rafael me deixou passada, como diria um amigo meu: totalmente bege.
O que mais me tocou além dos horrores que ele viveu, foi ver cair em mim a ficha de como a gente é capaz de sair comprando, assim na maior qualquer “peixe” que nos vendem, sem nem ao menos questionar se tubarão não é sardinha.
Que fique claro pra quem não viu o programa, que em nenhum momento o Rafael foi lá posar de coitadinho arrependido. No maior alto astral e bom humor, ele também falou muito sério e foi passando a limpo toda a história que nós conhecemos.
Bicho de Sete Cabeças perde...A franqueza com que ele conta a própria história é desconcertante.
E eu digo desconcertante, porque me flagrei constrangida, envergonhada até de todos os pré-julgamentos que fiz baseada em histórias que aceitei como verdade sem pestanejar. Quantas mais não teriam sido da mesma maneira vendidas desse jeito sórdido?
Me senti mal comigo.
Deixei de propósito lá em cima o trocadilho infame com o qual eu me referia sempre a ele, pra vocês também acharem engraçado e a essa altura do texto quem sabe me acompanharem na sensação do meu vexame.
O famoso episódio das pilhas foi na verdade um gesto desesperado, um pedido de socorro feito da forma mais horrenda, que eu, na paz da minha bolha, jamais imaginaria nada parecido. Nunca mais brinco assim.
Limpo há quatro anos, casado e pai de dois filhos, Rafael Ilha é enfim um cara vitorioso e digno de todo respeito.
E ponto pro Gordo outra vez!
Escrito por Ana Paula às 14h01
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