MUSAS
Adélia Prado, junto com Cecília Meireles e Clarice Lispector, estão permanentemente no topo do meu Olimpo.
Tenho ainda outras autoras a quem dedico enorme admiração, mas essas...
Não existe palavra no mundo dos vivos capaz de traduzir toda a emoção que elas produzem em mim.
E já que falei em Adélia Prado, aqui vai o que me inspirou a "cometer" o texto publicado há dois posts atrás:
Cabeça
(Adélia Prado)
Quando eu sofria dos nervos,
não passava debaixo de fio elétrico,
tinha medo de chuva, de relâmpio,
nojo de certos bichos que eu não falo
pra não ter que lavar minha boca com cinza.
Qualquer casca de fruta eu apanhava.
Hoje, que sarei, tenho uma vida e tanto:
Já seguro nos fios com a chave desligada
e lembrei de arrumar pra mim esta capa de plástico,
dia e noite eu não tiro, até durmo com ela.
Caso chova, tenho trabalho nenhum.
Casca, mesmo sendo de banana ou de manga,
Eu não intervo, quem quiser que se cuide.
Abastam as placas de ATENÇÃO! que eu escrevo
e ponho perto. Um bispo quando tem zelo apostólico,
é uma coisa charmosa.
Não canso de explicar isso pro pastor
da minha diocese, mas ele não entende
e fica falando: “minha filha, minha filha”,
ele pensa que é Woman’s Lib, pensa
que a fé tá lá em cima e cá em baixo
é mau gosto só. É ruim, é ruim,
ninguém entende. Gritava até parar,
quando eu sofria dos nervos.
É a minha cara...parece que sou eu!
Adélia Prado é demais!!!!
:-)
Escrito por Ana Paula às 12h56
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|