De volta ao mundo dos vivos
Acabou-se o milho, acabou a pipoca...
Feriadão já foi, virou passado, vamos tocar o bonde!
Eu tenho esse texto na "gaveta" há algum tempo. E para salvá-lo do meu excesso neurótico de autocrítica, que já quis deletá-lo algumas vezes, resolvi publicar.
O engraçado é que eu nunca fui muito chegada à escrever versos e rimas, mas esse saiu assim:
Influência de Machado de Assis (ou: Efeito Brás Cubas, com um quê de Adélia Prado)
Andava de bobeira, achando tudo sem encanto
Foi quando olhei no espelho e mal contive o meu espanto
Socorro! Tem uma mulher ali me olhando
eu acho que ela quer falar comigo.
Me lembra alguém...
“Vem cá”, Ela me disse
“Eu quero te mostrar as coisas mais incríveis
que você deixou passar
deixou de gozar, deixou de viver
deixou de rir, deixou de chorar”
Ela era eu que estava me esperando.
Fui chegando um tanto assim, ressabiada
“Não tenha medo, é isso que te estraga”
Cheguei mais perto, e como Alice,
me entreguei às maravilhas
mergulhei fundo no universo do meu mundo
e vi que um outro bem maior havia lá.
Tinha amor, tinha tristeza, boa sorte e alegria
Tinha dor, paixão, saudade, música, cor e simpatia.
Coisa da vida de qualquer um,
que têm de ser experimentadas.
Ela disse:
“Seu mundo você é quem faz,
não se pode deixar pra trás.
Senão passa batido, e você vira um robô
que acha que a felicidade foi bandido que roubou.
Vira alguém triste, sem história, sem estrada e sem memória.”
Fiquei ali pensando...Não é que Eu tinha razão?
Pois tal e qual Terminator II, eu e Eu desfizemos
numa liga cintilante, pra ser uma só depois,
quase nada vacilante.
Vocês precisam ver como sou Eu agora.
Toquei o “F”, chutei o balde sem demora
Que venha a vida com tudo o que ela me dá.
Eu chuto pro gol e corro pra cabecear.
Assovio, bato palmas e chupo cana
E olha, até que Eu faço um som bacana.
Ainda erro, ainda sofro, ainda choro.
Mas sou inteira. Eu sou feliz.
E adoro!
O velho Bruxo do Cosme Velho há de me perdoar essa infâmia, mas, com todo respeito seu Machado, pretensão e água benta nunca fizeram mal a ninguém, né ?
:-)
Escrito por Ana Paula às 11h41
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