A gente ainda somos inútil
A gente vê cada coisa...
Lá estava eu fazendo minha ronda diária obrigatória, inadiável e imprescindível pelos meus blogs favoritos. A coisa funciona assim: nem sempre comento, mas não deixo de ler nenhum; leio e releio religiosamente todos e se estiver inspirada, deixo minhas impressões. Quando finalmente cheguei no Ultraje, deparei com o Roger comentando que foi procurado pela revista Isto É (edição 1816), “na condição de autor de Inútil”, com o respectivo link pra tal matéria.
Bom... Não vou gastar meu latim repetindo tudo, tá lá o link, depois vocês olhem, mas trata-se de uma campanha do governo com o intuito de levantar a auto-estima dos brasileiros. Nesse sentido, o Roger escreveu um post curto, mas muito direto e, sobretudo, lúcido, que eu também recomendo a leitura.
Resumindo, ele conclui brilhantemente dizendo que “a auto estima deve ser legítima” e que “uma campanha destas é manipulativa e paliativa, assim como o Fome Zero”.
Tô com o Roger e não abro. Isso cheira a mais um engôdo, doido pra nos engambelar, desviar nossa atenção dos problemas sérios, crônicos e viciosos que nos assolam já de longa data.
Será que eles – o governo – acham mesmo que uma lustradinha no ego e tapinha nas costas resolve tudo?
Os autores da matéria João Paulo Nucci e Lino Rodrigues estão bastante otimistas.
Eu, como o meu querido Roger, acho que ainda falta um pouco.
Senão, vejamos:
“Inútil resumiu em poucas e mal traçadas linhas, propositalmente ofensivas às leis gramaticais, o Brasil dos extertores do regime militar. Cantar” a gente somos inútil “talvez fizesse sentido naquele momento, mas desde então votamos para presidente quatro vezes (“A gente não sabemos escolher presidente”), modernizamos nossa indústria automobilística (“A gente faz carro e não sabe guiar”) e ganhamos duas Copas do Mundo (“A gente joga bola e não consegue ganhar”).”
Analizando este parágrafo extraído da Isto É, a minha conclusão é a seguinte:
“Votamos para presidente quatro vezes”
Votar, infelizmente não é sinônimo de saber escolher, ponto pro Roger.
“Modernizamos nossa indústria automobilística”
Sim, sem dúvida...Mas daí a saber guiar...É só dar uma voltinha pelas ruas das grandes capitais.
“Ganhamos duas Copas do Mundo”
Aí, desculpem...Eu sei que isso pode até gerar uma certa polêmica, mas o Brasil, meus queridos, com Fenômeno e tudo, só ganhou essa Copa porque pegou uma chave muito baba...melhor que isso só se fosse jogar no Rock Gol!
Façam-me o favor...
:-)
Escrito por Ana Paula às 22h51
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