CURITIBANAS
Cá estou em Curitiba, a charmosa capital paranaense. Mas antes de falar a respeito do que aqui estamos fazendo e aproveitando, tenho que esclarecer que a saudade quase nos machuca. É que depois de inúmeras elucubrações, resolvemos deixar a Malu em Sampa com a avó. E, realmente, aqui no meio do furacão do Festival, iria ser muito foda deixá-la confortável, por mais que me desdobrasse em dedicar-me a ela o tempo inteiro, 24 horas. Enfim, ela está bem lá em São Paulo... e nós, MUITO saudosos. Que segunda-feira chegue rápido, pelamordedeus!!!
A contrapartida de tudo isso – aí entro no que estamos aprontando por estas bandas – é que estamos nos aproveitando, fazendo tudo o que não podemos fazer em Sampa, como acordar um pouco mais tarde que o normal, assistir a várias montagens teatrais e curtir a noite curitibana. Mas há alguns problemas.
O ponto fraco deste Festival é a organização. Diferentemente do que pudemos supor depois de vários anos organizando este grande evento teatral, o povo organizador não se entende e não permite que possamos curtir as peças numa boa. Vejam um exemplo: para comprarmos qualquer ingresso das peças da Mostra Principal, temos que nos dirigir ao ÚNICO guichê da cidade, que fica no Shopping Estação, local, aliás, que abriga o cybercafé que me permite digitar estas palavras. E na porra do guichê, temos que pegar uma senha. Só que a espera para que eu seja atendido é de surreais QUATRO HORAS. E se optarmos comprá-los pela internet, teremos que pegar essa senha de qualquer forma. Resumindo: o povo organizador está pouco se fodendo pelos espectadores. Agora, por exemplo, peguei a senha 177, enquanto estão há mais de 20 minutos no número 35. Logo, depois de postar este texto, vou filmar a apresentação da Má, almoçar e, só depois, vir aqui entregar ao atendente o papelote de minha senha e, enfim, comprar os ingressos. Um absurdo!!
Mas, por outro lado, foi por causa dessa situação surrealista da amadora organização do Festival que pude curtir ontem a noite curitibana. Viemos tentar comprar os ingressos ontem e, com a demora de 4 horas, desistimos. Aí, depois da ótima estréia do grupo no Largo da Ordem, estávamos voltando para casa quando, no rádio, ouvimos que ninguém menos que Kid Vinil estaria discotecando na Nico, uma das casas rock'n'roll daqui. Não deu outra: fomos para lá. E, lógico, foi ducaralho!!!
Kid mandou new wave, sons setentistas, oitentistas e recentes, uma ótima quizumba que nos envolveu com por meio de The Jam, Ramones (numa seqüência hardcore de matar a pau), Softcell, White Stripes (numa versão maravilhosa de “The Hardest Button to Button”, que foi de escalavrar a chapeleta), Ravionettes e "Cum on Feel the Noize", do Quiet Riot, além de vários outros petardos. Dancei feito um jumento com os grãos amarrados. Catarse muito bem-vinda, tal como esperava numa noite comandada pelo mestre Vinil. Felipão, foi de espocar a hemorróida, meu velho!
Bom, preciso ir agora. Temos apresentação às 13h30 no mesmo Largo da Ordem. Espero que seja melhor ainda que a de ontem! Depois volto por estas bandas quizumbísticas!
Até mais!!
Escrito por Mahabharata às 13h10
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Queridos amigos desta Quizumba...
Andei sumida, é verdade, por culpa dos inexoráveis afazeres do mundo real. E eis que quando estou prestes a quebrar o jejum, recebo este admirável texto no nosso leitor Anacleto Pantoja.
Pois bem...o Seu Anacleto é uma dessas pessoas que não ficaram "vendo a banda passar" e ao longo da sua vida até chegar aqui já construiu uma história e tanto.
Jornalista aposentado, ativista político, sobrevivente dos porões da ditadura...E deixem que ele conte o resto:
CHOQUE CULTURAL
1979 - Fim da ditatura! Músicos, poetas, jornalistas, enfim, todos aqueles que vieram a esse mundo incumbidos da valiosa tarefa de enriquecer nossa cultura, embasados pelo restabelecimento da democracia puderam enfim expressar livremente suas idéias e nos alimentar com a requeza de suas palavras. 2004 - A democracia não é mais novidade! É a nossa realidade! Podemos dizer o que pensamos, o que sentimos e ninguém vai nos cobrar explicações por isso. Então por quê é que toda essa profusão de coisas boas e inteligentes foi se esvaindo com o passar do tempo?
1980: Chico Buarque grava a música "Eu te amo".
"Ah, se já perdemos a noção da hora, se juntos já jogamos tudo fora, me conta agora como hei de partir. Se ao te conhecer, dei pra sonhar fiz tantos desvarios, rompi com o mundo queimei meus navios, me explica com é que ainda posso ir..."
1984: Caetano Veloso lança o antológico "Velô" trazendo composições inesquecíveis como "Podres poderes", "Língua" e "O quereres".
"...onde não queres nada nada falta, e onde voas bem alto eu sou o chão e onde pisas o chão minha alma salta e ganha liberdade na amplidão...
... Eu queria querer te amar o amor, construirmos dulcíssima prisão, encontrar a mais justa adequação, tudo métrica, rima e nunca dor..."
2004: A nova sensação da música POP Kelly Key, depois de estourar nas paradas de sucesso com hits imortais como "Baba baby" e "Cachorrinho", lança a bombástica canção-protesto-anti-racista "A loirinha e o negão"(?). Quem ainda não conhece terá o prazer de conhecer agora o hit que está explodindo nas rádios cariocas:
"Geral tava olhando a loirinha do negão, juntinhos de mãos dadas zoando no calçadão, foi quando de repente me veio um cidadão, e perguntou: Loirinha o que tu viu nesse negão?
O que eu vi dentro dele não vi dentro de você, me dê papel e caneta que eu já vou te responder, Meu preto é cem por cento e me coloca pra chorar, só prá tirar uma onda Playboy vou te esculachar.
Por isso eu fiz essa canção, Pensando do me jeito pro playboy ouvir, ele é escuro sim, um tremendo negão, mas não lhe falta educação e respeito."
GERAL= Várias pessoas ZOANDO= Algo como "curtindo a vida" O QUE TU VIU= O que tu viste
Vou dizer uma coisa terrivel: Sofri o diabo nos porões da ditadura. Mas gostaria honestamente de saber se há algum Oficial "linha-dura" esquizofrênico remanescente daquela época pra encher de porrada e jogar numa cela úmida e escura, o imbecil que compôs essa porcaria e proibir essa pequena de cantar até mesmo "Atirei o pau no gato" em todo o território nacional. Mesmo considerando a teoria de que "O belo está nos olhos de quem o vê (ou talvez nos ouvidos de quem o escuta!), permitam-me parafrasear minha neta: NINGUÉM MERECE!
Anacleto Pantoja
A Quizumba agradece de coração.
Escrito por Ana Paula às 17h01
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FÉRIAS
Já peço mil perdões adiantados, mas a possível lacuna de textos meus nesta Quizumba nos próximos dias será decorrente do título deste post: estou gozando (nas) merecidas férias!
Se bem que não será só de descanso o conteúdo desse ótimo lapso, porque (finalmente) eu, a Má e a Malu estamos de mudança para nosso novo apartamento no bairro de Santana. Trabalheira boa, mas altamente recompensadora.
Além do mais, vou amanhã para Curitiba dar uma conferida no Festival de Teatro e, lógico, para dar uma força para a minha mulher, atriz de mão cheia, que se apresentará no Fringe com um divertido espetáculo de rua. Evoé!
Tentarei achar uma Lan House por lá, mas confesso que tal busca não será prioritária. Se já entenderam a mensagem subliminar, vou estar bancando o paizão ama-seca até as tampas! Nossa querida Malu estará junto com a gente para conhecer a bela capital paranaense! Aguardem as fotos!
Até a volta, se Deus quiser!
Beijos e abraços!
Escrito por Mahabharata às 21h33
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SANGUE, SUOR & CERVEJA
Quer saber? Respondendo à pergunta da Cora, ainda que o Nizan Guanaes seja um carcará sanguinolento e que essa chamada "guerra das cervejas" seja uma merda simplesmente pela total falta de qualidade das marcas envolvidas, acho que o Zeca Pagodinho fez muito bem em largar o vínculo com a horripilante Nova Schin e voltar para a sua boa e velha Brahma.
Até respeito as opiniões lidas por aí, no sentido de que, clamando por ética na propaganda (!?!?), o cantor perdeu credibilidade como garoto-propaganda virando casaca ou de que também a mijaneira Kaiser faria parte de seu isoporzinho de estimação. Mas não posso concordar com esses argumentos simplesmente porque, afinal de contas, na antiga propaganda da Nova Schin ele apenas aprovava o produto com seu polegar em riste, sem sequer proferir uma vogal. Não dizia, portanto, que aquele xixi era a melhor cerveja - mesmo porque, creio que suas papilas degustativas nunca permitiriam que o cantor soltasse tal heresia. E outro detalhe deste até relevante assunto é que era sabido por todos que Zeca - ele não conseguia esconder o conteúdo de seu isopor - sempre mandou pra dentro a Brahma, mesmo quando estava sob os auspícios da Xixicariol, pois, até onde sei, o cara pode ser tudo, menos um imbecil.
Tudo bem. Foi estarrecedor ver a nova criação do neo-africano Nizan tomando por base aquele contexto da enorme repercussão causada pela adesão de Pagodinho à Nova Schin meses atrás. Mas diante da qualidade das duas cervejas em questão, não posso fazer outra coisa senão apoiar e/ou concordar em gênero e número com a atitude do cantor e compositor. Do jeito que o cara bebe, devia ser muito foda a obrigação de só beber aquele mijocariol em todos os eventos em que era convocado. Além do mais, devo lembrar que a tortura não é admitida em nosso ordenamento jurídico.
E agora, por se ver libertado daquelas tristes amarras, Zeca, além de ter de agüentar o peso das moedas africanas em seus vários bolsos, ainda terá que ser eternamente grato ao buldozer Nizan Guanaes pelo fim do tratamento de URINOTERAPIA ao qual teve que se submeter. Sorte dele! E é por essas e outras que concluo que o Zeca não perdeu credibilidade coisa alguma, justamente porque fez o que qualquer outro ser humano provido com um mínimo de bom senso faria se instado a escolher entre a Nova Schin e a Skol, Brahma, Original, Serra Malte, Bohemia ou a minha preferida, a belíssima Itaipava, ainda por mim considerada como sendo a melhor cerveja do mercado. Afinal, ninguém aqui atirou pedra na cruz, né verdade?

*Palmas, Zeca! Phoda-se a Nova Schin! Descarga nela!
Até.
Escrito por Mahabharata às 18h53
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